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Conheça Lukas Fernandes, a nova promessa da música sertaneja

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Lukas Fernandes (Foto: Marcos Rosa)

 

Lukas Fernandes é a nova promessa da música sertaneja. Reconhecido na região Centro-Oeste do Brasil, o cantor, de 23 anos, quer emplacar a carreira nacionalmente e a música Só as panicats tem de tudo para cair na boca do povo.

Criado na cidade de Patos de Minas (MG), o cantor mora em Mato Grosso, polo da música sertaneja. Antes, no entanto, já chegou a viver em Dublin, na Irlanda, para onde onde viajou com objetivo de estudar. A temporada de um ano fora do Brasil foi marcada por dificuldades. "Trabalhei até como entregador de jornais", conta, relatando ainda que, às vezes, "acordava e não tinha o que comer".

Lukas chegou a iniciar as faculdades de educação física e psicologia, mas desistiu de ambas. "A música sempre falou mais alto. Matava aula para fazer shows em barzinhos e em outras cidades, mesmo quando não ganhava um real."

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Lukas Fernandes (Foto: Marcos Rosa)

QUEM: Como decidiu investir na carreira musical? Pensou em ter outra profissão?
L.F.:
Sempre sonhei com a música. Iniciei a faculdade de educação física, mas sempre tive a música na cabeça e, por isso, quis morar fora. Fui pintor de casas, entreguei jornais, lavei panelas em Dublin, na Irlanda. É uma cidade muito gostosa. Na verdade, viajei contra a vontade da minha mãe. Não tem ninguém que tenha seguido a carreira artístico em nossa família. Ela achava que era onda da minha cabeça. Tive que desafiar a todos e larguei a faculdade de educação física. Minha mãe ficou triste. Afinal, eu estava deixando de lado o estudo. Ela não teve condições de estudar e estava me proporcionando isso. Mas queria fazer o que eu gostava. A única coisa que pedi a ela foi a passagem e o curso. Disse que, com o resto, me virava. Só não imaginava que fosse passar por tantas situações.

QUEM: Você enfrentou alguma forma de preconceito lá fora?
L.F.:
Acho que o brasileiro é muito mal visto lá fora porque as pessoas passam uma imagem que deixam com que eles tenham a impressão de aqui é só droga, funk e mulher fácil, mulher andando pelada. Para mim, que não falava nada de inglês, foi muito complicado arranjar emprego. Com quatro meses morando na Irlanda, eu continuava sem falar inglês e eu não conseguia emprego. O dinheiro foi acabando e eu comecei a me desesperar. Pensei 'vou ter que ir embora' porque estava decidido a não pedir dinheiro para a minha mãe.

QUEM: E você fazia um curso lá?
L.F.:
Sim, estava matriculado para aprender a língua. A prática do idioma se torna mais fácil quando você convive diariamente com a outra língua. Fui arrumar emprego só depois de cinco meses. Foi Deus quem me deu aquele emprego.

Lukas Fernandes (Foto: Marcos Rosa)

QUEM: O primeiro emprego lá fora foi do quê?
L.F.:
Trabalhei como entregador de jornal. Acordava às 6h naquele frio de 30 graus negativos. Eram duas horas de trabalho por dia e ganhava o equivalente a 600 euros por mês. Estava muito bom para mim. Lá, o custo de vida é baixo. Com 20 euros, você consegue fazer um mercado para a semana. Lógico, não dá para esbanjar, mas fome também não passa. Cheguei a ficar sem nada de dinheiro e ir para a fila de espera pegar cesta básica. Cheguei a furtar comidas dos meus colegas de casa. A primeira casa em morei, tinham 14 pessoas. Dividia quarto com um paulista. Nessa casa, todos eram brasileiros e, por isso, não aprendi o inglês porque ficava falando só em português com eles. Era o mais jovem lá. Tinha 19 anos. A maioria do pessoal tinha entre 28 e 30 anos.

QUEM: Quando voltou da Irlanda, queria voltar para a casa da sua família?
L.F.:
Como morei fora, criei uma certa independência. E na casa da família, você tem que seguir algumas estipulações. É a casa da mãe: tem horário para comer, para dormir, para tudo. Quando você é independente, você cria sua rotina, seus horários. E voltar a viver com a minha mãe era um pouco complicado.

QUEM: E você chegou a voltar para a faculdade?
L.F.:
Quando voltei para Patos, em Minas, comecei a fazer outra faculdade. Desta vez, de psicologia. Cursei um ano. De educação física, tinha cursado três semestres, mas ido para a aula só umas 20 vezes (risos). Ai, que vergonha. Mas é que a música sempre falou mais alto. Matava aula para fazer shows em barzinhos, em outras cidades, mesmo quando não ganhava um real.

Lukas Fernandes (Foto: Marcos Rosa)

 

QUEM: E como surgiu a chance de gravar um CD?
L.F.:
Disse que uma vez para um amigo que precisava de um fim de semana para descansar e esquecer de tudo. Nisso, ele me falou que me levaria para conhecer o Mário [Zeferino, empresário]. Depois de tantas barreiras e rasteiras, foi aí que minha mãe percebeu que não era mais um sonho de menino. Ela me abençoou ao sair de casa. Precisava compor as músicas para um CD. Gosto de escrever a minha verdade, mas as histórias. Sei que Ele está no controle de tudo.

QUEM: Uma música que me chamou a atenção é uma chamada Só as panicats. Como veio a ideia?
L.F.:
Esta é a única música do CD que não compus. Mas é alegre, alto-astral e admiro muito as meninas do Pânico, são bonitonas.

QUEM: Consegue visitar sua família?
L.F.:
A primeira vez que vim para cá, em abril do ano passado, fiquei sem voltar por quase um ano. Só voltei em janeiro.

QUEM: Já sofreu por amor?
L.F.:
Sofrer, não. Só não sou muito desapegado. Sou da farra. Tive apenas uma namorada séria, por dois anos e não foi nada legal.

QUEM: Namorou por dois anos e não foi legal?
L.F.:
Antes de terminarmos, quando falamos 'vai pro seu lado e eu vou para o meu', a situação foi ficando chata. O decorrer do namoro foi complicado.

QUEM: E como você conseguiu ficar por dois anos?
L.F.:
Nem eu sei como. 'Taí' uma boa pergunta: 'como consegui?'. Fazia shows na região e ela morria de ciúme. Ela falava que não tinha ciúme, mas tinha. Tínhamos a mesma faixa etária. Ela tinha uns 19 anos e eu uns 20, 21. Por isso, nesse início sólido de carreira, não quis um relacionamento sério. Depois que eu me apego, fica difícil. Então, é melhor não ficar com ninguém.

QUEM: Está numa fase de "pego, pego, mas não me apego"?
L.F.:
Tipo isso (risos). Estou praticando a lei do desapego. E comecei a entrar numas aventuras aí...

QUEM: Aventuras amorosas?
L.F.:
É... Não quero ser taxado de safado, mulherengo, mas quis viver minhas experiências com mulheres e fui criando verdade para as minhas músicas. Tem música mais sofrida, outras mais alegres. Para chegar as músicas do CD, cheguei a rabiscar 80 músicas. As que não estão no CD, joguei fora. Nem eu sabia que tinha o dom de compor. O pessoal ficou encantado com as letras. Fora do Brasil, percebi que um álbum consegue ser trabalhado em dois anos e quis isso para mim.

QUEM: É verdade que você escreveu um livro?
L.F.:
Sim, fala sobre a minha trajetória até o lançamento deste primeiro CD. Muitas pessoas acham que basta gravar um CD. O mundo artístico tem muita concorrência, altos e baixos. Quis escrever um pouquinho da minha experiência. Meu objetivo não é emocionar. Quero preencher e levar um pouquinho e levar um pouco de esperança para quem está com os sonhos adormecidos. Quando você tem fé no que faz, dá certo

QUEM: Pelo que te observei durante a nossa conversa, você parece ser vaidoso. Foi só impressão ou realmente se importante com a aparência?
L.F.:
Reparo demais, gosto de estar bem comigo mesmo. Nada obsessivo. Para mim, a minha vaidade é normal. Cuido muito do meu corpo, me sinto bem com isso.

QUEM: Antes de cantar sertanejo, você tocava beach music. Fale um pouco mais sobre o gênero?
L.F.:
É uma música mais na pegada de praia, tipo John Mayer e Jack Johnson. Estou com vontade de inovar a música brasileira. Tem músicas boas e ruins. Tem algumas que ninguém aguenta ouvir. Escuto o que gosto e não julgo os outros.

QUEM: Na música sertaneja, de quem você gosta muito?
L.F.:
Jorge e Mateus formam uma dupla que gosto muito, sempre os escuto, são referência.

QUEM: Já se imaginou acompanhado em vez de seguir a carreira solo?
L.F.:
Meu irmão, Thiago, quando me viu começando pra valer, chegou a pensar em cantar comigo. Ele é mais velho. Tem 25 anos. Só que estou focado nesse projeto solo. Minha relação com a minha mãe é muito forte. Não tive criação paterna. Não sei o que é ter carinho de pai. Isso me fez mais madura,. Tive a sensação da ausência de ter um pai. Minha mãe supriu tudo. Não tenho lembranças dele.

QUEM: Seu irmão é de outro relacionamento da sua mãe?
L.F.
: Ele é filho do meu pai também. Só que ele foi registrado; eu, não. Mas sou feliz demais. Às vezes, acho que é melhor não ter tudo pai. Nunca fui preso. Eu estou indo, eu fui. Se preciso de dinheiro, eu me viro. Pelas minhas escolhas, encarei as consequências tanto ruins e boas.

QUEM: Quais situações ruins, por exemplo?
L.F.:
Talvez o melhor termo seja experiências de aprendizado. Em situações adversas, consegui amadurecer. Por exemplo, acordar e não ter o que comer. É ruim ter que depender dos outros.

QUEM: Já se sentiu humilhado por ter que depender dos outros em algum momento?
L.F.:
Humilhado, eu não digo. Mas já me senti incapaz. Minha mãe sempre quis me ajudar, quis que eu fizesse faculdade e estava achando injusto aquilo tudo de não o retorno que ela esperava.

QUEM: Você aposta na sua carreira artística, mas pensa em algum plano B caso não engrene?
L.F.:
Não, eu não me vejo fora desse meio artístico. É isso que me move. Minha disposição é de 24 horas para isso. Acho que cada pessoa nasce com um dom. Eu não consigo me enxergar em outra coisa. Fiz até faculdades, mas no way.

QUEM: Você disse que, por enquanto, não pensa em um namoro sério. Mas tem vontade de, futuramente, casar e ter filhos?
L.F.:
Com certeza. Sonho ser pai. Quero ser para os meus filhos o que eu não tive. Tudo virá na hora certa. Agora estou focado na carreira, comecei a plantar e quero colher os frutos disso.
 


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