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Felipe Solari: "Meu ciclo no 'Legendários' se encerrou"

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Felipe Solari abriu seu apartamento, em Higienópolis, para receber a reportagem de QUEM (Foto: Cauê Moreno)Felipe Solari abriu seu apartamento, em Higienópolis, para receber a reportagem de QUEM (Foto: Cauê Moreno)

 

Aos 30 anos, Felipe Solari coleciona algumas conquistas em sua carreira de oito anos. Passou por diversos programas nos tempos áureos da MTV para assumir, em 2010, a difícil função de falar sobre sustentabilidade num programa de humor, o 'Legendários', da Rede Record. 

Inicialmente massacrados pela crítica, Felipe e o restante da turma liderada pelo apresentador Marcos Mion conseguiram seu lugar ao sol. Aos trancos e barrancos, ele, que antes era conhecido pela veia humorística, passou a liderar o time de reportagens do programa fazendo matérias com tino jornalístico mais aguçado. 

Felipe Solari (Foto: Cauê Moreno)Felipe Solari (Foto: Cauê Moreno)

Cenário perfeito para alguém tão jovem brilhar, certo? Errado. Na última semana, o apresentador tomou a difícil decisão de partir em uma nova jornada em busca de uma carreira ainda mais estável. Juntam-se a ele seus quase um milhão de seguidores fieis no Twitter, os amigos, que o ajudam em um novo projeto voltado a curtas-metragens e claro, a namorada, Laura Neiva, que mesmo com apenas 19 anos, teve maturidade para ficar ao seu lado nas decisões. 

Na última terça-feira (5), Felipe recebeu a reportagem de QUEM em seu apartamento no bairro de Higienópolis, em São Paulo, para falar pela primeira vez sobre o que o fez sair da emissora. "O contrato acabou, eu precisava assinar um novo, e era justo que eu refletisse". 

 

Você foi há um mês à imprensa para falar sobre a nova temporada do 'Legendários'. De repente saiu. Quando tomou essa decisão?
Eu não ia sair. Mas o quadro que eu fui fazer há três anos era de sustentabilidade. Depois a gente ainda evoluiu, falou de sistema solar, fizemos viagens. Esse nicho se perdeu. Virou um programa de palco, com mais provas de auditório e menos matérias. Para estar no palco eu preciso estar apresentando. Ou então fazendo minhas matérias e me representando com elas. Ficar ali, no palco, sem reportagens e sem apresentar não fazia mais parte do que eu tinha ido fazer. Eu considerei que o ciclo tinha se encerrado. Até eu fui pego de surpresa quando me peguei pensando nessa situação.

Até novembro do ano passado você ainda estava fazendo matérias, como quando viajou junto com a Rihanna. Esse ritmo diminuiu?
Sim. Diminuiu o espaço delas, já na outra temporada. Nesta nova, ia diminuir mais ainda. Agora apenas a Juju Salimeni e o Mionzinho são responsáveis por isso. Considerei que minha missão tinha acabado. Era mais do que justo que eu buscasse um novo ciclo.

Essa mudança de formato que o 'Legendários' passou nesse último ano foi uma ordem que veio de cima, dos executivos da Record?
Não, foi uma mutação do programa para o horário em que ele é exibido e diretamente por conta de quem ele concorre. Se o 'Legendários' fosse durante a semana, talvez ele tivesse uma outra pegada. Isso sempre foi discutido entre nós. Sábado é sábado. O programa está mais para o 'Viva Noite', virou uma grande bagunça no palco. Não cabem lá matérias mais sérias, coisa que tinha sido propostas no início. Eu acho de verdade que isso não é uma falha. Todos os programas da TV precisam se adaptar. O 'Legendários' tem a honra, o mérito, de ter conseguido se manter por tanto tempo.

Felipe Solari dedica-se agora ao projeto de curtas #13Noir (Foto: Cauê Moreno)Felipe Solari dedica-se agora ao projeto de curtas #13Noir (Foto: Cauê Moreno)

 

 

Pois é, vocês foram massacrados pela crítica quando o programa foi ao ar...
Completamente. Principalmente por aqueles que eram do nosso mesmo nicho. O programa tinha tudo para durar três meses e sair do ar. O começo foi f... A gente fazia uma coisa mais conceitual, um bando de gente da MTV se arriscando na TV aberta. E p... Aprendi bastante sobre esse público. Aprendi a falar com um público que não é só jovem, mas de todas as faixas etárias, do Brasil inteiro. Eu senti a diferença na rua. E eu realmente acho que é preciso passar pela TV aberta para aprender a fazer televisão. Eu fiquei obcecado nesse meio tempo. Olhava os outros canais, via o que eles estavam fazendo. Tinha umas jogadas de mudar isso, aquilo, no jeito que eu apresentava. Essa é a graça.

Como é que o Marcos Mion reagiu quando contou que iria sair (Mion e Solari trabalham juntos desde 2001)?
Cara, ele ficou surpreso. Eu pensei muito nisso, achei que ele talvez fosse ficar chateado, mas ele reagiu muito bem. Era inesperado, né? Eu tinha decidido que ia ficar. A gente está no começo do ano. Eu teria pelo menos mais um à frente do programa e eu não estava disposto.

Rolava um contrato com a Record? Você ainda tem que cumprir agenda?
Rolava sim, mas o que aconteceu foi que eu não quis renová-lo. Quando eu fui pra Record, eu fechei por três anos. O contrato acabou, eu precisava assinar um novo, e era justo que eu refletisse. Vieram: 'Vamos renovar'. Foi o momento que eu decidi pensar um pouco. Eu posso defender minha arte. O Mion pode defender a dele. É positivo. Precisamos nos sentir parte do projeto. Por muitas vezes eu não me sentia parte do 'Legendários', apesar de eu ter feito coisas incríveis ali. Viajei com a Rihanna, vi a Aurora Boreal, dormi junto com uma tribo indígena...

Quem levantou a bandeira da sustentabilidade no começo do programa?
Eu e o Mion. A ideia veio dele também. E eu acho que a gente conseguiu falar do assunto de forma dinâmica, com porrada. Eu recebia mensagens no Twitter de menina falando que foi bem na prova porque falavamos de desastre do petróleo, da geografia de tal lugar. Isso me deixava orgulhoso. A gente tinha um reconhecimento muito grande. Mas chegou uma hora que não fazia muito sentido uma matéria dessas num sábado à meia noite. Não encaixava. Eu concordo.

Você chegou a pensar em fazer outras coisas na Record?
Super!

Eles são abertos pra isso?
São sim, mas você precisa estar no momento certo. Não encaixou nenhum. Tiveram vários projetos que eu poderia entrar, como o 'Amazônia' (reality show de sustentabilidade) e teve agora os de música, como o 'Ídolos', e o 'Got Talent Brasil', que vai ser apresentado pelo Rafael Cortez. Eram ótimos caminhos, mas a partir do momento que não rolou, não rolou.

O que você pretende fazer agora, partindo desse novo ciclo que sempre menciona?
Eu tenho vontade de me comunicar e pretendo sim entrar em outra emissora. Mas eu acho que dá pra divulgar o meu trabalho de outra maneira. Nesses anos de MTV e Record, conheci muita gente interessante e novas maneiras de fazer acontecer sem necessariamente precisar de algo poderoso por trás.

Esse projeto que você divulga, o #13Noir, se encaixa nesse perfil independente?
Eu voltei hoje do Rio. A gente gravou os três últimos. Em resumo, são 13 atores estrelando 13 curtas-metragens. Cada um desses curtas tem um minuto e meio, mais ou menos. Não tem trabalho de voz, apenas uma trilha sonora clássica, em preto e branco, quase como o cinema mudo, na pegada do cinema noir. Tem esse meu amigo, o Pedro Urizzi, que é ator e diretor. Nós montamos uma produtora juntos e começou a pensar em cinema. Mas você sabe como é fazer isso. É legal, o processo é bacana, só que leva anos, é mais o tesão, não tanto o dinheiro. Como agora eu estou em carreira solo, eu vou tocando esse projeto. A gente gravou a Giovanna Ewbank, o Bruno Gagliasso e a Negra Rosa, no Rio. Agora vamos fazer as negociações para viabilizar essa exposição. Queremos fazer 13 televisões de plasmas emolduradas, cada uma com os 13 curtas. Você pega o fone, senta e tem uma experiência sensorial. Queremos entrar no calendário cultural da cidade. Ficar um mês em algum museu. O projeto é totalmente pessoal. Conseguir realizá-lo ao final de um ano é muita satisfação. Não rolou dinheiro, foi todo mundo na brodagem, no incentivo ao amigo. E rolou! Todo mundo teve vontade de fazer, de ficar livre das amarras que a televisão impõe. O cinema não tem cortes.

Me parece que é um caminho bastante comum o de pegar amigos para fazer projetos pessoais bacanas. Tem a turma da música do underground paulista, por exemplo, que realiza discos inteiros somente com a ajuda dos "irmãos".
Exato! Fica do c... O dinheiro é uma consequência. Se a gente mostra um trabalho de maneira independente, lá na frente eu colho de uma maneira legal. Se eu não mostrar meu trabalho, eu não consigo nada. É louco isso. Eu saí do 'Legendários' pra mostrar o que eu sou capaz de fazer.

Você pensa em seguir mais no caminho da direção, já que tem experiência na área?
Eu dirigi um documentário da banda Nove Mil Anjos em Los Angeles. Meu pai é diretor, eu gosto. Se você não vai dirigir e realizar o que tem vontade, ninguém faz isso por você. É muito pouco ser só ator, apresentador. Eu aprendi isso com o Mion. Ele é o diretor, comanda seus próprios projetos. Criou o conceito do 'Legendários'. Quando eu dirijo, eu quero realizar. Eu não sei se viraria diretor, seguiria essa carreira. Acho que minha carreira é ser apresentador, mas às vezes você quer botar uma arte para fora. Eu quero gerar conteúdo, mas fugir do que já tem aí. Quero ir pra uma linha mais cinematográfica, de criação..

Felipe Solari (Foto: Cauê Moreno)Felipe Solari (Foto: Cauê Moreno)

 

Você tem interesse de seguir para a internet? Fazer vídeos semanais como o 'Porta dos Fundos'?
P... Eles são muito bons e têm uma programação de vídeos que vão ao ar semanalmente. Esse conceito de televisão na internet está mais forte. As pessoas estão ganhando dinheiro com isso. Óbvio que ninguém que faz internet dispensa televisão porque nego não é maluco. A televisão te expõe de diversas formas, boas e ruins. É importante colher essa experiência. É óbvio que os anos de MTV e Record me deixam seguro de seguir sozinho. Eu tenho o meu Twitter, meu Instagram, meu Facebook oficial que me dá uma boa plataforma de divulgação.

A nova lei do Audiovisual te atrai? Ter 30% de produção nacional na TV paga me parece um prato cheio para quem quer seguir carreira independente.
É o meu foco principal agora. Você consegue colocar programas mais legais que não precisam se preocupar tanto com audiência. Mas a TV paga também tem algumas obviedades. Eu gosto do Discovery Channel, National Geographic e os vejo abrindo espaço para programas nacionais. O Fernando Meirelles, o dr. Pet, todos têm programas na TV a cabo. Se o Brasil precisa cumprir essa toca, não tem porque não participar. É muito legal.

Quando o 'Legendários' sofreu com problemas na audiência você era muito cobrado?
Eu nunca fui diretamente. O movimento, o burburinho da semana, era pelo ibope, claro. É o que te estabelece como vitorioso e não vitorioso na TV aberta. Eu nunca fui cobrado, mas quando a audiência era boa, vinham dar os 'Parabéns'. É o conceito de cada emissora. Eu lia as pesquisas. Quem é que te assiste, quem é seu público. Com elas eu vinha pra casa pensando que eu também falava com senhores, com pessoas mais velhas. O Ibope também é importante para entender seu público.

A MTV, que foi sua casa por muito tempo, vem passando por dificuldades financeiras. Rolaram boatos até de que ia fechar. Você ficou sabendo dessas coisas?
Eu acompanho pelas colunas de TV. O meu contato com a MTV é de longe hoje. A turma que está saindo hoje foi quem entrou quando eu estava saindo. Eu lembro do Marcelo Adnet chegando lá. Acho que ele conseguiu manter a emissora após a saída do Mion, que foi a grande estrela da MTV, apesar de muita gente não achar, não concordar. A real é que eu acho que a MTV é muito pouco música hoje em dia, apesar das tentativas. Eu não assisto os programas porque eles não me pegam. Mas o que eu acho incrível neles é que eles se reinventam. Tentam, com orgulho, sair do buraco.

E te incomoda ver uma emissora que você acreditou caindo?
Eu já vesti aquela camisa, mas é que hoje a MTV é bem distante de mim. As pessoas que trabalhavam comigo já não estão mais. Claro que eu gostaria de ver mais loucura lá. Fazer coisas voltadas pra música. Quando eu fiz o 'Chapa Coco' com o André Vasco, a gente fazia esquetes, era malucão, mas sempre voltados a assuntos musicais. O Adnet segurou um pouco esse espírito. Eu acho que a MTV começou o conceito de internet na televisão.

E diante da carreira solo, agora você tem ao seu lado a Laura Neiva. Vocês começaram o namoro em 2011 e já estão morando juntos. Por que essa decisão tão rápida?
Acho que foi a ordem natural das coisas. Eu não considero rápido. São conspiações da vida. Eu vim pra um apartamento novo. A gente tava junto, debatendo sobre essa possibilidade e resolvemos juntar. Estamos felizes. Temos nossas duas cachorras. A Laura me ajuda. A gente divide muito as tarefas de casa. Somos do mesmo meio. Eu ajudo ela a passar os textos de cinema. Rola um processo bacana de criação, além do processo amoroso.

A Laura tem 19 anos. Ela é madura nas decisões? Bate com os seus pensamentos?
Ela é sim. Eu não vejo essa diferença de idade. Ela é como qualquer outra pessoa. É um sinal da maturidade. Se eu for comparar, teve outras pessoas com idade mais avançada que eu namorei que não eram tão maduras quanto ela. Não tinha essa paz que temos.

Ela está escalada em 'Saramandaia'. Vocês vão viver na ponte aérea ou pretende passar um tempo no Rio?
Acho que ela vai ser bem exigida nas gravações pela Globo. Eu vou visitá-la, claro, é pertinho. Mas vou continuar aqui. Ela tá indo fazer uma novela, mas faz cinema também. Daqui a pouco ela pode passar três meses em Belém pra fazer um filme. É o processo do artista. A gente conversa muito sobre isso. O nosso mundo é diferente. Eu quero que ela faça um ótimo trabalho e depois volte pra mim, pros nossos cachorros. Eu mesmo viajei muito nesse tempo. Ficamos uns tempos sem se ver, sempre na paz.

Você pretende ter filhos?
Mais pra frente. Na próxima entrevista a gente fala disso (Risos). Eu acho que os cães já suprem bem.

Outro dia você postou em seu Instagram a foto de um caderninho com o nome 'O Intuitável Mundo de Felipe Solari'. Para que ele serve?
(Risos) É uma válvula de escape. Eu sempre fui um cara que protesta muito. Quando as redes sociais chegaram, eu aderi desde o comecinho. Sou muito ligado nisso, mas gosto muito da parte publicitária disso, como cuidar dessa ferramenta, que é importante. Ter um milhão de seguidores no Twitter implicam responsabilidades. Eu acho péssimo os caras que não têm. O Twitter virou um confessionário. Tem gente que se queima, briga, fala de problemas da vida pessoal. Eu sou a favor do 'show deve continuar'. Já entrei no palco com meu pai na UTI e entrei sorrindo. Se um dia eu tô mal, puto com alguém, eu me reservo. E eu tenho direito de não tornar isso público. Que vontade bizarra que as pessoas tem de tornar tudo público de uma maneira meio boba, né? Eu gosto de seguir pessoas e colher informações. Um cara mais inteligente pode usar o Twitter de uma maneira mais bem humorada. Seguindo esse conceito todo, ganhei esse Moleskine de um amigo que disse: 'Aqui você escreve as coisas que você quer dizer, sem cortes'. São minhas críticas pessoais. Meus desabafos.
 

Felipe Solari (Foto: Cauê Moreno)

 

 

 

 

  


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